CEstA Dupla "Etnografia Amazônica para além da fronteira, dois casos desde o Peru"

com as apresentações de:
CAROLINA RODRÍGUEZ ALZZA (PUC/Peru)
"Os deslocamentos iskonawa entre a não-fronteira pano"

LUIS FELIPE TORRES ESPINOZA (PPGAS/Museu Nacional/UFRJ)
"O encontro com nossos antigos: mito e parentesco numa aldeia yine em Madre de Dios"
 
Dia 22/11/2019, às 14 horas
Sede do CEstA
Rua do Anfiteatro, 181, Colmeia - favo 8
 

“O encontro com nossos antigos”: mito e parentesco numa aldeia yine em Madre de Dios (Peru)
Minha pesquisa visa na relação entre a população indígena yine da aldeia "Monte Salvado" (Madre de Dios, Peru) e os mashco piro, um povo considerado ‘isolado’ pelos governos do Brasil e Peru. Essa relação é baseada principalmente em poucos encontros por ano, meio caminho entre ‘encontros amistosos’ e ‘situações de guerra’, ainda evitando o contato físico direto.
À medida que os encontros entre esses grupos confirmaram inteligibilidade linguística, em Monte Salvado foi criada a ideia que os mashco piro fazem parte de uma grande sociedade yine antiga, da qual também formavam parte seus próprios antepassados. Para os yine de Monte Salvado, as conexões entre o que chamam de wutsrukatenni (‘nossos antigos') e os mashco piro são evidentes: assim como os 'antigos', os mashco piro são grandes guerreiros e xamãs, e mal tem acesso a objetos de metal e roupas ocidentais.
Como fonte de referência dos tempos antigos, o mito é considerado para os yine um lugar privilegiado para conhecer sobre seus antepassados e, por tanto, também sobre os mashco piro. Nessa fala, me interessa abordar o papel dos mitos nas reflexões dos yine sobre os mashco piro, permeadas por termos míticos de entender a história e o parentesco.

Luis Felipe Torres Espinoza. Licenciado em Antropologia (PUC/Peru) e Mestre em Estudos Latino-americanos (Universidade de Newcaslte). Atualmente cursa o doutorado em Antropologia Social (Museu Nacional / UFRJ). Desde o 2016 faz parte do Projeto “Povos indígenas na confluência dos mundos”, financiado pela Fundação Kone (Finlândia), orientado à criação de espaços de diálogo de diversos atores em Peru e Brasil sobre a situação dos povos indígenas em isolamento e de recente contato na Amazônia.

Os deslocamentos iskonawa entre a não-fronteira pano
Esta fala é sobre os iskonawa, um povo indígena do macro-conjunto pano que atualmente reside em duas comunidades na bacia do rio Callería (Ucayali, Peru). Eles são considerados um povo indígena em contato inicial pelo Estado peruano, por causa do encontro que tiveram com um grupo de missionários evangélicos em 1959. Diferentemente do que a historiografia oficial mantém, os iskonawa destacam os diferentes contatos com os não-indígenas muito antes disso, mas especialmente aqueles que aconteceram com outros povos indígenas. Esses contatos configuram, assim, para os iskonawa seus deslocamentos da zona interfluvial próxima à fronteira com Brasil até a foz de Callería, afluente direto do grande rio Ucayali em Peru.
Neste contexto de deslocamentos geográficos, exploramos como os iskonawa desenvolvem suas relações sociais com esses outros indígenas e não-indígenas. Da mesma forma, oferecemos uma reflexão sobre como, por meio dessas relações, eles configuram um continuum de alteridades em relação a os limites da fronteira, o que eles chamam de “Brasil”.

Carolina Rodríguez Alzza. Linguista e antropóloga da PUC/Perú. Membro do Grupo de Antropología Amazónica (GAA). Seus interesses se desenvolvem entre aspectos lingüísticos e antropológicos na Amazônia indígena. Na área da antropologia, sua pesquisa é principalmente junto com os iskonawa do rio Callería sobre a memória dos contatos. Desde 2018, ela trabalha em uma documentação colaborativa sobre a iconografia e a cultura material do povo Iskonawa.

 
Referências de leitura (arquivos disponíveis nos links abaixo):
 
Tese de mestrado da palestrante Carolina Rodriguez Alzza "Entre el ‘vivir huyendo’ y el ‘vivir tranquilos’: los contactos de los iskonawa del río Callería"
 
Livro do ISA "Cerco e Resistências - Povos Indígenas Isolados na Amazônia Brasileira"
 
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Sede do CEstA - Rua do Anfiteatro, 181 - Colmeia, favo 8